Tecnologia x Gestão de Riscos – Onde está a ameaça?

Imagine que, como num filme, alguém da década passada chega aos nossos dias sem aviso prévio. É teletransportado para hoje, com milhões de pessoas conectadas a um smartphone, com fones de ouvido sem fio e com a conta do cartão de crédito lotadas de serviços que não são produtos: Uber, conta corrente em bancos online, Spotify e Netflix.

As locadoras de filmes são cada vez mais raras, os jovens não pensam em comprar um carro aos 18 anos, a forma de ouvir música, assistir a documentários, ver vídeos engraçados e estudar… tudo se transformou.

Será que essa pessoa, que foi transportada lá de 2009, conseguiria entender a curva dessa mudança? Ou melhor, será que nós, que vivemos essa transformação, conseguimos identificar o ponto-chave dessa mudança?

A verdade é que a inovação entrou em nossas vidas de forma avassaladora. E, todos os dias, novas empresas apoiadas na tecnologia e no cotidiano nascem para nos fornecer soluções digitais. Empresas que monitoram sua saúde por um aplicativo de celular, planners que ajudam a manter a agenda em dia, robôs que avaliam se a sua casa precisa de mais iluminação para que seu cachorro não fique no escuro. Tudo está conectado. E, nesse novo modelo de ofertar serviços e adquiri-los, fica a questão: onde está a ameaça?

Google e Facebook já foram postos à prova

A maioria das empresas utiliza, hoje, serviços de armazenagem de dados online. Está tudo na nuvem e, teoricamente, é seguro. Mas, algumas vezes, a validade dessa segurança da informação já foi posta em questão. Em 2015, por exemplo, portais de tecnologia divulgaram um link do Google que armazena algumas pesquisas de voz. Se você tem celular Android e já acessou os comandos de voz alguma vez, por clicar neste link e identificar se há algo do seu perfil armazenado.

Em 2016, Mark Zuckerberg, dono do império do Facebook, foi flagrado com um adesivo no seu computador, cobrindo a câmera. A cena deixou o mundo inteiro questionando de quem ou do quê Zuckerberg estava se protegendo.

Além da armazenagem das informações, que muitas vezes não está clara para o usuário e pode ser uma verdadeira surpresa para o público, há outra questão que empresas de inovação e tecnologia precisam se atentar: até que ponto é seguro terceirizar a comunicação da empresa para um robô? Em 2018, os bots voltaram com tudo e muitas empresas estão investindo na tecnologia para atender de forma rápida e controlada o seu público. Mas, algumas vezes, o consumidor quer e precisa de uma interface humana para resolver um problema que nenhuma palavra-chave ou banco de dados conseguiria. E, sem retorno rápido da empresa, a crise pode se transformar em uma verdadeira ameaça à imagem do produto ou serviço.

Apesar de todos os riscos, já estamos em um ponto de não retorno, aquele momento da história que comprova, não se trata de uma novidade e sim de uma mudança definitiva no comportamento e cultura da nossa sociedade. E, sem dúvidas, a inovação tem nos impulsionado a uma vida mais cômoda e com nossos desejos mais próximos do nosso alcance. O que precisamos, de forma sincera e madura entender e olhar sempre, é a gestão desses riscos e a clareza quanto às responsabilidades, de todas as empresas, de lidar com ele.

Somos todos responsáveis pelos riscos

Quando pensamos em inovação, também precisamos pensar em novas formas de gestão. Se a cultura e os modelos de negócio se transformaram, também é natural repensar as estruturas de responsabilidade e gestão do negócio. Em relação  às ameaças e riscos, todos somos gestores. É importante que esse mindset faça parte não apenas de grandes líderes, mas de todos os colaboradores de uma empresa. Por exemplo, se dos estagiários aos grandes gestores essa cultura estiver alinhada, a possibilidade de desenvolver tecnologia com mais segurança e responsabilidade é expandida. É preciso pensar de forma compartilhada e abundante para encarar, de frente, a gestão das ameaças.

De resto, é hora de aproveitar. Se aquela pessoa, teletransportada em 2009, chegasse por aqui e descobrisse que poderia ouvir música, assistir a filmes, pedir comida e comprar roupas sem sair do sofá, ela seria bem feliz. Assim como nós somos.

Imagem: por rawpixel.com – br.freepik.com

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