Risco e mistério em silos – o que ninguém fala e o que não é contabilizado

Indispensáveis para o armazenamento da produção agrícola, os silos e armazéns influenciam diretamente na qualidade e preço dos grãos. Os grandes compartimentos preservam os produtos em umidade e temperatura, mantendo sua integridade e potencializando seu comércio.

Quem trabalha nesses reservatórios tem a missão de receber, armazenar, transportar e descarregar os grãos. Mas além da rotina metódica, a função tem um alto risco, que pode ser mortal: há possibilidade de morte por soterramento. Desde 2009, mais de 100 pessoas morreram afogadas nos grãos. Mas o número exato de mortes no país é uma incógnita e apenas os casos divulgados na imprensa são contabilizados.

Após a morte de um funcionário, o empregador precisa preencher uma ficha no Ministério da Previdência Social. No relato, não há a opção de sinalizar o caso como armazéns agrícolas, apenas como depósitos fixos – termo bastante genérico. Ou seja, fica impossível mensurar o verdadeiro dano causado por um ambiente de trabalho inseguro.

As pessoas que trabalham dentro dos silos devem estar com equipamento de segurança. No entanto, muitas vezes isso não é respeitado. Em agosto, a BBC publicou a matéria Exclusivo: As silenciosas mortes de brasileiros soterrados em armazéns de grãos, que aborda as mortes no país. No texto, há o depoimento de um sobrevivente ao soterramento. Segundo ele, nos dias em que os técnicos de segurança não estão nos silos, os supervisores fazem “vista grossa”, colocando a vida dos funcionários em risco.

Mais do que medida de segurança, é preciso estabelecer uma cultura de prevenção

Independente da área de atuação de uma empresa, os riscos devem ser calculados com atenção. E a prevenção de riscos é responsabilidade de todos. Com uma cultura harmoniosamente estabelecida, é possível que todos se sintam parte e responsáveis pela prevenção de riscos – nos âmbitos físico, intelectual, estrutural, financeiro e material.

Cada vez mais, se faz necessária uma visão integrada dos riscos. Há diversos tipos de riscos em que toda companhia pode passar. Todas as empresas e companhias precisam desenvolver um processo coeso e fortalecido de gestão de riscos. A única forma de conscientizar cada funcionário em prol de medidas protetivas é  inserir a gestão de riscos na cultura da empresa – uma cultura sólida e clara em que cada integrante da equipe se sinta convidado a proteger a empresa em todos os cenários possíveis.

Para que haja a incorporação da prevenção de riscos na cultura e cotidiano de uma empresa é preciso, antes de tudo, a disposição de se conectar com toda a equipe. Isso pode acontecer por eventos, treinamentos, palestras e outras formas de interação entre o grupo. A partir dessa conexão, podemos compartilhar valores. E só depois de termos os valores compartilhados, poderemos, juntos, zelar pelo bem que temos em comum.

 

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