Bicicletas Yellow e a gestão de riscos. Estamos prontos?

Em agosto de 2018, 500 bicicletas amarelas foram distribuídas por São Paulo. Era a chegada da Yellow, startup brasileira das bicicletas amarelinhas que não precisavam nem de estação própria – era só usar a que encontrasse no caminho, a partir de um cadastro no app. O preço? Apenas R$1 a cada 15 minutos.

Cinco meses se passaram e o modelo do negócio se transformou. Agora, a Yellow não tem 500 unidades, mas milhares de bicicletas e patinetes. A startup também chegou ao Rio de Janeiro e interior de São Paulo. Desde janeiro de 2018, quando foi lançada, a Yellow já levantou 75 milhões de dólares em investimentos e mais de 1 milhão de corridas em seus equipamentos.

Há alguns anos, bicicletas do Bradesco e Itaú já haviam sido disponibilizadas para aluguel do grande público em grandes cidades do país. O que mudou com a chegada da Yellow, no entanto?

Bem, primeiro, estamos falando de um modelo de negócio baseado no aluguel de bicicletas e patinetes, diferente de empresas como Itaú e Bradesco, que podem ter o aluguel de bicicletas como investimento e até mesmo publicidade. Depois, vídeos e fotos das bikes banalizadas ou abandonadas em locais esdrúxulos foram compartilhados pelo público. Metais retorcidos, rodas arrancadas, pedaços das bicicletas misturados com lixo. Em setembro, o co-fundador da startup, Eduardo Musa, disse à Exame que a banalização não preocupava a empresa e que acreditavam na capacidade dos brasileiros de utilizar bicicletas compartilhadas de forma correta. De lá para cá, a startup anuncia expansão após expansão.

E quais são os riscos?

Roubo, depredação, abandono dos produtos fora da área de atuação, risco operacional de disponibilização de bicicletas, assistência técnica, risco de manutenção. Ah! As bicicletas também não vêm acompanhadas de equipamento de segurança, ou seja, ainda há riscos de acidente com o usuário que pode acabar afetando a marca.

Sabemos que não há como evitar ou anular os riscos, mas que devemos sempre gerir riscos da forma mais realista e objetiva possível. E parece que é isso que a Yellow anda fazendo, afinal, apesar do modelo de negócio da Ofo, empresa chinesa que inspirou a brasileira, não ter dado certo, a startup continua crescendo no país.

A melhor forma de investir em uma nova cultura é criando uma cultura de riscos

A Yellow vem com um modelo de negócio novo, para o Brasil e para o brasileiro. Há 10 anos, não imaginávamos que iríamos utilizar carros, bicicletas, apartamentos e outras tantas coisas que não são nossas de forma simplificada e rápida. Assim como outras empresas como Uber, Nubank e AirBNB chegaram para transformar a nossa cultura, talvez seja uma nova forma de lidar com as bicicletas e patinetes para aluguel.

Cada vez mais as empresas precisam desenvolver uma cultura de risco e realizar a gestão de forma assídua e compartilhada. Dessa forma, é possível implementar internamente uma cultura forte, consistente e que deixa funcionários e clientes preparados para lidar com as ameaças.

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